UM OLHAR OBLÍQUO/UM OLHAR DE LADO: ROBERT DOISNEAU
Un Regard Oblique, também Le Regard Oblique, a fotografia acima, é do ffotógrafo francês Robert Doisneau, de 1948. Ela mostra um homem e uma mulher observando pinturas na vitrine de uma vitrine que pertencia à joja de antiguidades de Robert Miquel, conhecido como Romi, que também trabalhava como repórter para a Paris Match e era amigo de Robert Doisneau. A loja ficava no número 15 da Rue de Sein, no 6º arrodissement de Paris.
A fotografia foi publicada na edição de 23 de maio de 1949 da revista Life , na seção fixa "Falando de Imagens...", juntamente com outras oito fotografias de Doisneau. Sete delas mostram o mesmo tema, mas com pessoas diferentes olhando para a vitrine. A oitava fotografia mostra uma multidão em frente à loja. O título da série fotográfica é "Pintura provoca reações intensas na margem esquerda de Paris". " Um Olhar Oblíquo" é a última fotografia da seção e, além daquela da multidão, é a única com legenda. Ela é intitulada "A atenção de um casal que olha a vitrine está dividida. A esposa discute atentamente a pintura central, mas os olhos do marido já estão vagando". O texto que acompanha a matéria explica o contexto das fotografias. Afirma que o dono da loja de antiguidades havia colocado duas pinturas em sua vitrine. A pintura do meio retrata uma mulher nua entrando na banheira. A pintura na parede tem 50 anos e foi feita por um artista desconhecido chamado Wagner. No entanto, o dono da loja logo percebeu que o quadro colocado de forma menos visível na parede atraía muito mais atenção dos transeuntes. O fotógrafo Robert Doisneau observou isso e, portanto, posicionou sua câmera atrás da vitrine da loja para capturar a surpresa e a confusão de seus compatriotas ao verem o quadro.
As demais fotos da série:
Robert Doisneau ajudou a construir o imaginário romântico parisiense. “Le Baiser de l'Hôtel de Ville” (em tradução livre, “O Beijo do Hôtel de Ville”), uma das fotos mais reproduzidas do século 20, ilustra um beijo apaixonado, em 1950, porém ensaiado na capital da França, revelou Francine Deroudille, filha do fotojornalista. Ele passeava pelas ruas de Paris com uma câmera em mãos, sempre registrando os movimentos urbanos e as belezas corriqueiras do cotidiano. Apesar da imagem transbordar naturalidade e intimidade, como se os espectadores pudessem espiar um momento de conexão amorosa entre dois amantes, não é tão espontânea como parece .“A foto foi tirada na primavera de 1950. O agente do meu pai havia proposto uma série sobre 'os amantes de Paris' para publicações americanas, e a revista Life a encomendou”, relembrou Francine, em entrevista à BBC.
A fim de evitar problemas legais por direitos de imagem, ele fotografava amigos ou atores para as reportagens encomendadas. Para produzir essas fotos românticas, o parisiense saiu com os estudantes de teatro apaixonados Françoise Bornet (na época, com o sobrenome de solteira “Delbart”) e Jacques Carteaud e deixou-os à vontade. "Não posavam. Doisneau simplesmente os flagrava flertando e se beijando, de uma forma muito natural", descreveu. O clique perfeito veio em meio a um beijo apaixonado em frente à prefeitura da cidade. O contraste é curioso: parisienses caminham indiferentes ao gesto de carinho; carros trafegam pela rua e o movimento continua na capital da França. É um momento sensível apenas para os pombinhos "clicados", sugere a foto. A fotografia foi publicada na Life em 1950, porém caiu no esquecimento pelos 30 anos seguintes.
Professor de fotografia e fotojornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Weiler Finamore Filho descreve que Doisneau já era um profissional de referência quando foi chamado para produzir o clique romântico. "Tinha fotos incríveis e era conhecido por ser um fotógrafo do cotidiano e da rua", reconhece.











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