quarta-feira, 10 de junho de 2026

SERIAL KILLER: PEDRO ALONSO LÓPEZ


DESAPARECIDO: A MENTE DIABÓLICA DE PEDRO ALONSO LÓPEZ, O MONSTRO DOS ANDES


López foi acusado de ter executado e abusado de mais de 300 crianças em três países diferentes

Imagem da prisão do Monstro dos Andes - Wikimedia Commons

Os primórdios de Pedro Alonso López foram sombrios. O colombiano nasceu em Santa Isabel e sua mãe Benilda López De Castaneda, uma famosa prostituta da região, criava sozinha seus filhos, após seu marido ser morto com seis tiros na porta de casa. Com oito anos, Pedro foi expulso de casa por ter acariciado de maneira indevida sua irmã mais nova.

Após o ocorrido, o jovem encontrou abrigo na casa de um homem pedófilo que o obrigava a ter relações sexuais. Ele conseguiu fugir do cativeiro e passou a sobreviver nas ruas cometendo pequenos delitos, até ser preso com 18 anos, por ter furtado um carro.

Pouco tempo após entrar na cadeia, foi espancado por uma gangue que o deixou em um estado de vida ou morte. Ele se recuperou mas, não deixaria aquilo passar batido e resolveu se vingar: com uma faca, cortou as gargantas de quatro de seus agressores. Após o episódio macabro, acabou sendo preso.

Ao ser solto, em 1978, estava obcecado pelo vontade de fazer novas vítimas. Decidiu então seguir com sua paixão sombria, mas mudou o alvo, que passou a serem meninas entre 8 a 13 anos.

Inocência perdida

No mesmo ano que conseguiu sua liberdade, o colombiano matou 100 garotas no Peru. Andarilho, nunca ficava muito tempo no mesmo lugar, mudando sempre de cidade ou país. Passou algum tempo na Colômbia e depois ficou de vez no Equador deixando um rastro de sangue por onde ia. Em média, matava três vezes por semana.

Pedro Alonso e sua mãe/ Crédito: 
Divulgação/Youtube

Segundo o próprio, ele preferia que suas vítimas transmitissem um ar de inocência, confiança e que fossem muito bonitas. Ele costumava seguir as meninas que queria matar por vários dias, conhecendo suas rotinas.

Após saber da vida de cada uma, o psicopata aproveitava o momento em que elas estivessem sozinhas e ia falar com elas. Dizia estar perdido e pedia ajuda, promendo presentes e doces se as pequenas acompanhassem. Essa era a estratégia utilizada para levar as crianças para longe.

Como todo serial killer, o colombiano era persuasivo. Durante a noite do sequestro, convencia as meninas a terem relações sexuais com ele, mas, logo ao raiar do dia, enforcava elas. Assim não teria acusações. Além disso, nenhuma de suas vítimas foi morta durante a madrugada: o assassino gostava de presenciar a morte através dos olhos delas.

Na visão de Alonso, ele era um anjo salvador daquelas pequenas almas, pois se estivessem mortas, elas nunca iriam perder sua inocência e não teriam que enfrentar uma vida de pobreza, perdendo a pureza.

O Monstro dos Andes

Foi só em 1980, na cidade de Ambato, no Equador, que o assassino foi capturado, após tentar raptar a filha de um comerciante local. A população da pequena cidade o cercou e o levou até a delegacia, que já o investigava pelo sumiço de outras jovens.

Em sua cela, decidiu confessar seus pecados para um padre, que não passava de um policial disfarçado. O Monstro dos Andes confessou ter matado 110 meninas equatorianas, 110 columbianas e mais 100 peruanas.

Algumas das vítimas do serial killer/Crédito: Divulgação/Youtube

Ele também revelou que seguia um perfil. Matava todas através de abusos sexuais, estrangulamento e cortes nos pulsos. Em nenhum momento, o serial killer parecia arrependido, na verdade, se sentia um heroí por ter “salvado a alma das garotinhas”.

Prisão no Equador

Apesar de ter confessado todos seus atos, ele foi condenado a 16 anos de prisão e cumpriu 14 antes de ser solto. Pedro Alonso então foi transferido para sua terra natal, na Colômbia para ser internado em um hospital psiquiátrico.

Em 1998, já livre, Pedro foi até sua mãe, não para matá-la, mas sim, para pedir dinheiro para que pudesse viajar. Essa foi a última vez que foi visto e até hoje, ninguém sabe o paradeiro do psicopata.

Pedro matou pelo menos 100 meninas na Colômbia, 110 no Equador e 150 no Peru. Ele ficou conhecido como "Monstro dos Andes" porque todas as meninas que matou no Peru viviam entre as tribos da Cordilheira dos Andes.

Em 2002 ele apareceu nos radares da polícia novamente, pelo cometimento de mais um homicídio, mas nunca foi encontrado. Ele ficou por um tempo na lista de procurados da Interpol e estimasse que o tempo de atividade criminosa de Pedro seja entre 1969 e 2002 e que ele tenha matado mais de 350 garotas, embora tenha sido condenado oficialmente por 110 assassinatos.

Ninguém sabe seu atual paradeiro, mas se ele estiver vivo tem 77 anos de idade.

Hospital Psiquiátrico na Colômbia



Fontes:

Paola:



Wikipédia


The Crime Brasil:

domingo, 7 de junho de 2026

SOCIEDADE: PANÓPTICO - PARA VIGIAR (E PUNIR)



O QUE É O PANÓPTICO?

Planta, elevação e seção do Panóptico de Jeremy Bentham, 
desenhado por Willey Reveley em 1791. 

Idealizada pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham, esta estrutura foi elaborada na primeira metade do século XX a partir de um projeto da escola militar em Paris cujo conceito era facilitar a supervisão dos alunos. Bentham aprimorou essa idéia e criou o panóptico. A primeira aplicação aconteceu no plano judiciário através do projeto de uma prisão.

A estrutura do panóptico foi pensada para exercer um papel de controle social sobre os indivíduos. Trata-se de um edifício com várias celas, construído em formato circular, com um pátio no meio e uma torre ao centro. As celas podem ser vigiadas tanto do lado interno do prédio quanto pela parte externa, pois seu projeto foi elaborado de modo a permitir que o espaço seja inteiramente observável.



O funcionamento do panóptico ocorre da seguinte forma:

“Na torre central deve-se colocar então um vigia e em cada cela trancafiar um condenado, louco, operário ou estudante: através do jogo de luzes, torna-se impossível ao detento, escolar ou psicótico saber se naquele ponto central está ou não alguém à espreita. Isolados, os condenados ou doentes ou os alunos são hora após hora, dia após dia expostos à observação dos mestres do panóptico, mas sem saber se a vigilância é ininterrupta ou não, quem os vê ou o que vêem. A incerteza da vigilância intermitente adestra”. (Michel Foucault - Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão)

Dessa forma, o panóptico funciona como uma forma de vigia onipresente e, de acordo com Bentham, esse tipo de poder que é capaz de exercer o controle social de forma efetiva e sem violência física.


O conceito do panóptico gerou diversas discussões, dentre elas está a reflexão feita pelo escritor George Orwell em seu livro “1984” cujo inspetor é o Big Brother, um vigilante onipresente. Outra análise que circunda a ideia do panóptico foi trazida pelo filósofo Michel Foucault em sua obra “Vigiar e Punir” publicada em 1975, chamada de “O Panóptico de Foucault”. O filósofo analisou a relação do poder da punição e da vigilância enquanto forma de controle dos indivíduos.

A ideia do panóptico é polêmica e gera diversas discussões ainda hoje. Seu projeto já foi adotado além das penitenciárias. Existem fábricas, escolas, instituições psiquiátricas, dentre outros prédios construídos segundo os princípios do panóptico.



Fonte:


quinta-feira, 4 de junho de 2026

VIDA ANIMAL: RAPOSAS E OURIÇOS


RAPOSA E OURIÇO SE TORNAM MELHORES AMIGOS E SE ENCONTRAM TODAS AS NOITES PARA JANTAR

Algumas amizades são orquestradas no céu, já dizia o ditado - mas essa amizade notável se formou bem mais perto de casa.

Ou, para ser mais específico, o quintal de Lucy Goacher.


Goacher mora na Inglaterra onde, em muitas partes do país, espécies nativas como raposas foram forçadas a se adaptar à vida urbana. Sua proximidade com os seres humanos e a percepção da sociedade que os vê como meros catadores, deram às raposas uma reputação negativa.

E no começo, Goacher era apenas mais uma delas, que olhava para as raposas de forma negativa.

"Minha família e eu tivemos visitas de raposas durante anos, mas, como muitas outras pessoas, acreditávamos que elas eram criaturas perigosas e que seriam um perigo para os nossos gatos", disse Goacher. "Mas há alguns anos percebemos o quão gentis elas realmente são."

Dadas as dificuldades enfrentadas pelas raposas devido ao constante desenvolvimento da sociedade, não é incomum que as pessoas lhes forneçam comida e água (e a prática é até incentivada por algumas autoridades da vida selvagem). E há dois anos atrás, Goacher começou a fazer exatamente isso.

Obviamente, as quatro raposas que frequentavam a área com relativa frequência anteriormente, se tornaram visitantes regulares. E em troca, Goacher foi recompensada com alguns encontros impressionantes.


Quase todas as noites desde então, as raposas se reuniram na casa de Goacher para jantar. Recentemente, no entanto, a palavra 'aparentemente se espalhou entre o reino animal', sobre a comida grátis.

E há cerca de um mês atrás, apareceu um tipo de visitante diferente: Um pequeno e faminto ouriço.



Nas primeiras visitas, o ouriço só chegava depois que as raposas se satisfaziam - mas acabou decidindo arriscar-se a comer primeiro. E Goacher ficou boquiaberta.

"Ele seguiu direto através das raposas (que se encontravam reunidas) e começou a comer em uma tigela", disse ela. "Eu estava com medo de que elas o atacassem, mas ao invés disso elas apenas olharam para ele com curiosidade, como se não pudessem acreditar em sua ousadia, e o deixaram sozinho a comer."


Claramente, a abordagem descarada do pequeno ouriço tinha funcionado.


Há sempre muita comida para todos, mas a princípio, as raposas pareciam receosas de interromper o 'espetado' recém-chegado durante as refeições. Mas então algo bastante notável aconteceu.

Uma das raposas decidiu quebrar o gelo.


Essa raposa amistosa, para surpresa de Goacher, começou a jantar ao mesmo tempo que o ouriço.

"Ele está muito feliz em comer ao lado do ouriço", disse ela. Na verdade, agora se tornou em algo regular.


E assim, uma improvável amizade floresceu.

Embora a raposa e o ouriço pareçam um par estranho, a mente aberta deles tem alguns benefícios óbvios: essa simpática raposa come antes de seus colegas menos receptivos, e o ouriço tem um aliado para afastar outros animais que podem querer ameaçá-lo.

E é justo dizer que eles o fazem direitinho.


Tudo começou, claro, graças a Goacher. Seu ato diário de bondade para com os animais em seu jardim gerou algo maravilhosamente inesperado.

"Eu presumi que o ouriço estaria em perigo, ou que pelo menos iria evitar totalmente as raposas", disse ela. "Mas eles estão unidos por seu amor mútuo pela comida livre e abundante. "



Fonte:

Portal animal

3 de julho de 2018


segunda-feira, 1 de junho de 2026

CULTURA POP: BATMAN NÃO MATA

POR QUE O BATMAN NÃO MATA? ENTENDA A PRINCIPAL REGRA MORAL DO CAVALEIRO DAS TREVAS



É a discussão mais antiga das rodas de conversa em lojas de quadrinhos e fóruns na Internet: se o Batman tivesse matado o Coringa anos atrás, quantas vidas teriam sido salvas? De Jason Todd a Barbara Gordon, a lista de vítimas da clemência do Morcego é extensa.

No entanto, a “regra de não matar” (e de não usar armas de fogo) é o pilar central que sustenta a psique de Bruce Wayne. Mas de onde veio isso? E qual é a explicação oficial da DC Comics?

Mergulhamos na história do Cruzado Encapuzado para explicar, de uma vez por todas, por que ele nunca cruza essa linha.

Nem sempre foi assim

Batman da Era de Ouro /Reprodução/DC

Antes de entendermos a regra, é preciso desmistificar o início. Na Era de Ouro (iniciada em Detective Comics #27, de 1939), o Batman matava. E matava muito.

Criado por Bob Kane e Bill Finger, o herói original carregava armas de fogo e não hesitava em jogar criminosos em tanques de ácido ou derrubá-los de aviões. A mudança veio por volta de 1940, quando o editor Whitney Ellsworth decretou que o herói não deveria mais usar armas ou matar, temendo a repercussão negativa e visando tornar o personagem mais acessível ao público infantil.

Em Batman #4 (1940), Bruce diz a Robin: “Lembre-se, nós nunca matamos com armas de qualquer tipo.” Ali nascia o código.

A explicação psicológica: a ladeira escorregadia

Batman furioso /Reprodução/DC

A justificativa “in-universe” (dentro da história) mais aceita e aprofundada pelos roteiristas modernos não é apenas sobre justiça, mas sobre sanidade.

Bruce Wayne é um homem profundamente traumatizado. Ele viu seus pais serem mortos por uma arma de fogo. Usar uma arma ou tirar uma vida o tornaria igual àquilo que lhe tirou a família.

No entanto, a explicação definitiva foi dada no clássico arco (e posteriormente animação) Batman Contra o Capuz Vermelho. Quando confrontado por Jason Todd sobre o motivo de o Coringa ainda estar vivo, Batman admite que não é porque ele acha que matar é errado em termos absolutos, ou porque é difícil.

“Não! Deus sabe que eu quero matar. Mas se eu fizer isso, se eu me permitir descer para esse lugar… eu nunca mais vou conseguir voltar”, explica Bruce.

Para o Batman, a linha que o separa dos vilões que ele caça é extremamente tênue. Ele sabe que é um homem violento e obsessivo. Se ele justificar uma morte (como a do Coringa), ele encontrará justificativa para a próxima, e a próxima, até se tornar um justiceiro sanguinário como o Justiceiro da Marvel.

Justiça vs. vingança

Batman e Coringa /Reprodução/DC

Outro ponto crucial na mitologia do herói é a sua crença nas instituições (mesmo que Gotham seja corrupta). O Batman atua como um auxiliar da lei, não como o juiz, júri e executor.

O objetivo de Bruce Wayne não é erradicar o crime através do extermínio, mas sim inspirar a cidade e reformar o sistema. Se ele começar a executar criminosos, ele invalida a polícia e o sistema judiciário que seu pai, Thomas Wayne, tanto respeitava. Ele prende o Charada e o Pinguim na esperança de que o Asilo Arkham e a justiça funcionem — mesmo que falhem constantemente.

O motivo editorial (a realidade)

Batman com as mãos sujas de sangue / Reprodução/DC

Por fim, há a razão prática do mundo real. Se o Batman matar seus vilões, a DC Comics fica sem personagens.

Vilões icônicos como o Coringa, Duas-Caras e Mulher-Gato são propriedades intelectuais valiosas. Matá-los “de verdade” impediria que novas histórias fossem contadas e que produtos fossem vendidos. A regra de não matar do Batman é, também, uma ferramenta de roteiro conveniente para garantir que a Galeria de Vilões de Gotham esteja sempre disponível para o próximo grande evento.

A conclusão da questão

Batman tirando sangue de inimigo /Reprodução/DC

Embora versões cinematográficas (como as de Tim Burton e Zack Snyder) tenham ignorado essa regra, nos quadrinhos ela permanece sagrada. O Batman não mata porque, no fundo, ele tem medo de que, ao tirar uma vida, a última parte de Bruce Wayne morra junto, deixando sobrar apenas o monstro.



Fonte:

sexta-feira, 29 de maio de 2026

ÁRVORE: ANGELIM VERMELHO


MAIOR QUE O CRISTO REDENTOR: CONHEÇA O ANGELIM VERMELHO, A ÁRVORE MAIS ALTA DA AMAZÔNIA


O angelim vermelho é dono do recorde de árvore mais alta da Amazônia. O mundial é uma sequoia-vermelha dos Estados Unidos, de 115,7 metros (38 andares). O tropical é uma shorea faguetiana de 100,8 metros, na Malásia.

Pesquisadores de diferentes países, identificaram a árvore mais alta da Amazônia: o angelim vermelho (Dinizia excelsa). A árvore tem 88 metros de altura – algo equivalente a um prédio de 24 andares. Sua altura é um recorde para a Amazônia brasileira, que ainda não tinha registrado nenhuma árvore com mais de 70 metros de altura. Na mesma área do gigante, pesquisadores encontraram outros exemplares de angelim com mais de 80 metros.

(Reprodução/Museu da Amazônia)

Durante 2016 e 2018, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) capturou imagens de vastas extensões da floresta amazônica com tecnologia radar laser” que faz sensoriamento remoto. Foram rastreadas 850 áreas, cada uma com 12 quilômetros de comprimento e 300 metros de largura. Em sete, os cientistas identificaram árvores que superavam os 80 metros. Seis dessas coleções, estavam localizada na região do rio Jari, afluente do rio Amazonas, entre os estados do Amapá e Pará, numa zona remota de difícil acesso.



Em termos de comparação, a Estátua da Liberdade, em Nova York, tem 93 metros de altura, incluindo a base. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, mede 38 metros da base até o topo da cabeça. Isto é, a árvore encontrada na Amazônia é um pouco menor que o principal símbolo de NY e bem maior que a estátua mais famosa do Brasil.

Como explicar essa altura surpreendente?

Os pesquisadores acreditam que a altura recorde está relacionada com a grande distância de áreas urbanas e zonas industriais – o local onde os angelins foram encontrados está a mais de 200 km da ocupação humana -, ou essas árvores podem ser uma “espécie pioneira”, ou seja, a primeira a habitar uma região que sofreu algum tipo de devastação.

(Foto de Eric Gorgens)

Filtro Natural

Cada Angelim Vermelho é capaz de reter a mesma quantidade de carbono que um hectare de selva tropical. Isso quer dizer que pode armazenar até 40 toneladas de carbono, o que equivale ao que absorveriam entre 300 e 500 árvores pequenas.


domingo, 24 de maio de 2026

MÚSICA: O "CORTA-JACA" DE CHIQUINHA GONZAGA

 “ESCÂNDALO DO CORTA-JACA”, 

DE CHIQUINHA GONZAGA E NAIR DE TEFFÉ



“Remexe, assim…assim…”Nair de Teffé e Hermes da Fonseca 
dançando o Corta-jaca / A Rua, 4 de novembro de 1914


Ninguém nega a importância de Ruy Barbosa, como grande jurista, advogado, escritor e político. Mas ele também tinha suas quizilas e preconceitos. Um deles se refere ao episódio chamado “Escândalo do Corta-Jaca”, em 1914, quando foram revelados alguns dos seus preconceitos musicais, tudo isso motivado por Nair de Teffé, esposa do presidente Hermes da Fonseca, o qual derrotara Ruy Barbosa na eleição de 1910.

Nair de Teffé, 1913. Rio de Janeiro, RJ 
 Acervo Museu da República

Nair de Teffé, caricaturista e tida como “moderninha”, casou-se com Hermes da Fonseca em 1913, após ele ficar viúvo em 1912 de sua primeira esposa, Orsina da Fonseca.

Casamento de Hermes da Fonseca e Nair de Teffé, 
8 de dezembro de 1913. Petrópolis, 
RJ / Acervo Museu da República

Nair, de uma família aristocrática (era filha do Barão de Teffé, sobrinha de Jorge João Dodsworth, Baão de Javari e Neta do Conde von Hoonholtz, era caricaturista, tendo estudado em Paris e Nice, na França, onde passou a infância e adolescência.

Tendo regressado ao Brasil com 19 anos, entre 1905-6, Nair volta ao Brasil influenciada pela Bella Époque, cheia de ideias na cabeça e inspirada nos cartunistas europeus. Assim, começa a desenhar caricaturas para várias revistas como O Malho e a Fon-Fon e os periódicos O Binóculo e A Careta.

No começo ela assinava como o pseudônimo Rian (seu nome ao contrário). Ela foi responsável, entre outras coisas, por lançar a moda de calças compridas para mulheres e montar a cavalos “como homens” (antes, as mulheres montavam a cavalos sentadas de lado.

Entusiasta da Música popular, promovia saraus no Palácio do Catete (então palácio presidencial), sendo entusiasta da música brasileira e amigo de Catulo da Paixão Cearense (músico, poeta e compositor que, apesar do nome, é de São Luiz do Maranhão).

Nair de Teffé um dia ouviu de Catulo que nas festas palacianas nunca se executava música nacional. Intrigada, ela resolveu consultar Emilio Pereira, seu ex-professor de violão, no momento morando em Petrópolis. Foi ele quem lhe apresentou o tango Corta-Jaca de Chiquinha Gonzaga.

O Corta-jaca é o nome popular pelo qual se tornou conhecido a canção “Gaúcho”. Nasceu nos palcos dos teatros musicados, onde foi dançado na cena final da opereta burlesca Zizinha Maxixe, imitada do francês por autor anônimo, representada no Teatro Éden Lavradio, em agosto de 1895.

Em 1914, era uma música conhecida nas ruas do Rio de Janeiro…

A última recepção do presidente. 
Aspecto de um dos salões do Palácio Presidencial do Catete 
durante a última recepção de S. Ex. o sr. Marechal Hermes da Fonseca 
e sua senhora na noite de 26 de outubro
 Revista da Semana, 7 de novembro de 1914

Na noite de 26 de outubro de 1914, houve um desses saraus, nos quais foram apresentados números musicais de música erudita, tendo na programação músicas de compositores como Arthur Napoleão, Gottschalk, e Franz Liszt,

Ao final do sarau, Nair pegou o violão (instrumento que então era considerado “menor”, associado à malandragem) e executou o Corta-Jaca, acompanhado de Catulo ….
Chiquinha Gonzaga aos 29 anos, 
c. 1877. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

Pela primeira vez na história do Brasil a música eminentemente popular fora executada na sede do governo, diante do corpo diplomático

O fato gerou muito disse-me-disse, havendo muitas críticas nos jornais e nos meios acadêmicos, pois havia quem considerasse inadequado música popular no Palácio do Catete, sede da Presidência da República.

O que aconteceu naquela noite de 26 de outubro de 1914 vem relatado e documentado no jornal A Rua do dia 6 de novembro às vésperas da transmissão do cargo de presidente de Hermes da Fonseca para Venceslau Brás, que ocorreria no dia 15 de novembro.

“Nos salões do palácio do Catete houve no dia 26 do mês passado, uma ‘soirée’ muita fina a que compareceram os representantes do nosso corpo diplomático e da ‘elite’ carioca. Na ‘soirée’, que era a última recepção dada pelo sr. presidente da República, ‘fez-se música’, como costumam dizer os cronistas mundanos.

“‘Fez-se música’ e em grande escala. Houve piano, bandurra e até violão…

“Ao som deste último instrumento tocou-se a festejada e dengosa produção da maestrina Francisca Gonzaga — ‘Corta-Jaca’. Os jornais desde esse dia não têm cessado de criticar, de muitos e diferentes modos, a inclusão do tango magnífico no programa de uma festa diplomática no Catete.

“O ‘Corta-Jaca’ andou tanto tempo pelos arraiais da pândega e da populaça que se desmoralizou por completo, tornando-se indigno do Palácio das Águias… por muito que as produções de D. Chiquinha Gonzaga sejam tidas como a essência da música genuinamente indígena.

“E tão mal estão a considerar o pobre tango que muita gente acredita ser toda essa crítica uma simples intriga de oposição.

“O ‘Corta-Jaca’ no Catete?

“Pode lá ser isso, dizia ontem no Senado o velho Sr. Glicério ao sr. Raimundo de Miranda.

“— Esses jornais são medonhos. Pois V. não viu a maneira por que está sendo atacado o Lalau… V. conhece o Lalau e sabe que ele é incapaz dessas coisas…

Catulo da Paixão Cearense

“Pois se tocou sim. Tocou-se ao violão o ‘Corta-Jaca’, no dia 26, no Catete. E querem provas? A melhor prova que podemos dar é a publicação do programa da festa. Vêde. Ele encima esta notícia.

“Esta, tenham paciência, não foi obra da oposição, não, foi obra e talvez a última dele…”

Ruy Barbosa, 1907

Em sessão do Senado Federal, Ruy Barbosa, como dito, opositor de Hermes, solta sua verve contra a atitude da polícia, que reprimia os estudantes das Faculdades de Direito, Engenharia e Medicina, os quais colavam inúmeros cartazes com caricaturas do presidente, ridicularizando o episódio. Vejam as críticas de Ruy:

“Por que, Sr. Presidente, quem é o culpado, se os jornais, as caricaturas e os moços acadêmicos aludem ao Corta-Jaca?

“Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa da recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao pais o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, que vem a ser ele, Sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o corta-jaca é executado com todas as honras de música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!”(5. Diário do Congresso Nacional, 8/11/1914, p. 2789. Refere-se á 147ª sessão do Senado Federal, em 7 de novembro de 1914.)

Careta, 7 de novembro de 1914

Ou seja, o batuque, o cateretê e o samba eram, segundo Ruy, as mais vulgares manifestações populares, que deveriam ser afastadas das solenidades e eventos oficiais. De fato, ainda bem que Ruy Barbosa não se notabilizou por ser crítico musical…



Fonte:

Autor: Sebastian Borges de Albuquerque Mello


17 de fevereiro de 2020



Fontes do autor:







quinta-feira, 21 de maio de 2026

FOTOGRAFIA: O POVO HADZA POR MARTIN SCHOELLER

 



Os hadzas (ou hadzabe) são um povo indígena nômade do norte da Tanzânia, na região do Lago Eyasi e do Vale do Rift. Com uma população estimada em cerca de 1.300 pessoas, são um dos últimos caçadores-coletores remanescentes do mundo, sobrevivendo exclusivamente de caça, coleta de frutos e mel, sem praticar agricultura ou criação de animais.

Martin Schoeller é um fotógrafo alemão famoso por seus retratos, tendo trabalhado para várias revistas como The New Yorker, Rolling Stone e GQ. Para a National Geographic realizou uma série de fotos sobre o povo Hadza. São algumas dessas fotos que apresentamos abaixo:


















Fontes: