segunda-feira, 21 de setembro de 2026

FOTOGRAFIA: ROBERT DOISNEAU


UM OLHAR OBLÍQUO/UM OLHAR DE LADO: ROBERT DOISNEAU



Un Regard Oblique, também Le Regard Oblique, a fotografia acima, é do ffotógrafo francês Robert Doisneau, de 1948. Ela mostra um homem e uma mulher observando pinturas na vitrine de uma vitrine que pertencia à joja de antiguidades de Robert Miquel, conhecido como Romi, que também trabalhava como repórter para a Paris Match e era amigo de Robert Doisneau. A loja ficava no número 15 da Rue de Sein, no 6º arrodissement de Paris.

A fotografia foi publicada na edição de 23 de maio de 1949 da revista Life , na seção fixa "Falando de Imagens...", juntamente com outras oito fotografias de Doisneau. Sete delas mostram o mesmo tema, mas com pessoas diferentes olhando para a vitrine. A oitava fotografia mostra uma multidão em frente à loja. O título da série fotográfica é "Pintura provoca reações intensas na margem esquerda de Paris". " Um Olhar Oblíquo" é a última fotografia da seção e, além daquela da multidão, é a única com legenda. Ela é intitulada "A atenção de um casal que olha a vitrine está dividida. A esposa discute atentamente a pintura central, mas os olhos do marido já estão vagando". O texto que acompanha a matéria explica o contexto das fotografias. Afirma que o dono da loja de antiguidades havia colocado duas pinturas em sua vitrine. A pintura do meio retrata uma mulher nua entrando na banheira. A pintura na parede tem 50 anos e foi feita por um artista desconhecido chamado Wagner. No entanto, o dono da loja logo percebeu que o quadro colocado de forma menos visível na parede atraía muito mais atenção dos transeuntes. O fotógrafo Robert Doisneau observou isso e, portanto, posicionou sua câmera atrás da vitrine da loja para capturar a surpresa e a confusão de seus compatriotas ao verem o quadro.

As demais fotos da série: 









Robert Doisneau ajudou a construir o imaginário romântico parisiense. “Le Baiser de l'Hôtel de Ville” (em tradução livre, “O Beijo do Hôtel de Ville”), uma das fotos mais reproduzidas do século 20, ilustra um beijo apaixonado, em 1950, porém ensaiado na capital da França, revelou Francine Deroudille, filha do fotojornalista. Ele passeava pelas ruas de Paris com uma câmera em mãos, sempre registrando os movimentos urbanos e as belezas corriqueiras do cotidiano. Apesar da imagem transbordar naturalidade e intimidade, como se os espectadores pudessem espiar um momento de conexão amorosa entre dois amantes, não é tão espontânea como parece .“A foto foi tirada na primavera de 1950. O agente do meu pai havia proposto uma série sobre 'os amantes de Paris' para publicações americanas, e a revista Life a encomendou”, relembrou Francine, em entrevista à BBC.

A fim de evitar problemas legais por direitos de imagem, ele fotografava amigos ou atores para as reportagens encomendadas. Para produzir essas fotos românticas, o parisiense saiu com os estudantes de teatro apaixonados Françoise Bornet (na época, com o sobrenome de solteira “Delbart”) e Jacques Carteaud e deixou-os à vontade. "Não posavam. Doisneau simplesmente os flagrava flertando e se beijando, de uma forma muito natural", descreveu. O clique perfeito veio em meio a um beijo apaixonado em frente à prefeitura da cidade. O contraste é curioso: parisienses caminham indiferentes ao gesto de carinho; carros trafegam pela rua e o movimento continua na capital da França. É um momento sensível apenas para os pombinhos "clicados", sugere a foto. A fotografia foi publicada na Life em 1950, porém caiu no esquecimento pelos 30 anos seguintes.

Professor de fotografia e fotojornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Weiler Finamore Filho descreve que Doisneau já era um profissional de referência quando foi chamado para produzir o clique romântico. "Tinha fotos incríveis e era conhecido por ser um fotógrafo do cotidiano e da rua", reconhece.




quarta-feira, 16 de setembro de 2026

SOCIEDADE: A POLÊMICA RELAÇÃO ENTRE FRIDA KAHLO E DIEGO RIVERA

A APAIXONADA E ABERTA RELAÇÃO DE FRIDA E DIEGO


21 de agosto de 1929. Um casamento simples, após um curto namoro. Ela, Frida Kahlo, tem 22 anos. Ele, Diego Rivera, 43. Nas mesas, há sopa de ostras, arroz com banana, pimentões recheados, mole negro, pozole vermelho. Ao redor, decoração colorida e um punhado de amigos: artistas, fotógrafos e militantes do Partido Comunista.

De repente, surge a ex-mulher dele, Lupe Marín, para levantar a saia da noiva e mostrar suas pernas, uma mais magra que a outra, uma sequela da espinha bífida, de que ela padecia. “Olhe para esses dois pauzinhos. É o que Diego tem em vez de pernas”, grita bem alto. O episódio define o tom do que seria daquele dia em diante um relacionamento tempestuoso e fascinante entre os dois grandes artistas mexicanos.

As vidas do Elefante e da Paloma (pomba), como eram chamados por sua grande diferença de tamanho, se entrelaçaram por 25 anos. Durante todos eles, haveria dois casamentos, um divórcio e um sem-número de infidelidades e escândalos que deliciavam a imprensa da época. Em seu último livro, Heridas. Amores de Diego Rivera, a escritora Martha Zamora reconstrói a vida das mulheres que compartilharam a vida com o famoso pintor. Reconstruímos com Zamora a apaixonada relação de Frida e Diego a partir de cartas, depoimentos, fotografias e obras de arte.

“Diego é bom para mim e me ama (até agora) bastante”, dizia Frida Kahlo à mãe em uma carta enviada em 1931 dos Estados Unidos, onde os recém-casados moraram por alguns anos. Mas os casos de Rivera já haviam começado.

Quando Alberto Veraza Uthoff, enteado da irmã de Frida, foi visitar o casal em Nova York, encontrou a pintora furiosa. “Estava muito irritada, dizendo grosserias porque Diego tinha ido a Detroit com outra senhora e a havia deixado sozinha”, disse em uma entrevista à escritora Martha Zamora.

Ione Robinson, uma das assistentes norte-americanas nos murais de São Francisco em 1930, foi uma dessas muitas amantes que o teriam acompanhado – algumas por horas, outras por dias. Eram jovens pintoras de “talento sobrenatural”, dirá Frida em uma carta anos depois; talento que “está sempre em razão direta da temperatura de suas partes de baixo”, acrescentava. Enquanto isso, naqueles anos de casamento nos Estados Unidos, Frida teria o primeiro de seus abortos. A dor das traições e a infertilidade marcariam sua obra.

Para quem conhecia Diego, suas aventuras não eram uma surpresa: 20 anos mais velho que Frida, chegou a ela depois de viver dez anos em Paris com a artista Angelina Beloff, a quem traiu com a cubista Marevna Vorobev – com quem teve uma filha não reconhecida. “Depois, ele a abandonou para voltar ao México, onde se casou com Lupe Marín e teve duas filhas”, diz Zamora.

O triângulo amoroso, neste caso, se formou com a fotógrafa ítalo-americana Tina Modotti. Mas Frida era “a mais maravilhosa”, segundo Diego. “Tive a sorte de amar a mulher mais maravilhosa que já conheci. Ela era poesia e a própria genialidade”, disse Diego sobre Frida em uma entrevista a Elena Poniatowska. “Infelizmente, eu não soube amar somente a ela, porque sempre fui incapaz de amar uma única mulher”, confessou.

Frida pintou, em 1931, uma tela que retratava o casal: 
transposição da vida real para as artes era comum na obra da artista mexicana

De volta ao México, os Riveras se mudaram em 1934 para o bairro de San Ángel, para duas casas ligadas por uma ponte na altura do telhado, que ele havia encomendado ao arquiteto Juan O'Gorman. Era um símbolo da autonomia e codependência dos gênios criativos. Ali aconteceria a maior traição do mestre. Frida havia convencido Diego a contratar sua irmã Cristina Kahlo como secretária e que ela posasse nua para a obra O Conhecimento e a Pureza. A proximidade resultou em um caso. Frida deixou a casa-estúdio e Diego.

Unos cuantos piquetitos

Umas Facadinhas de Nada, obra com uma mulher com várias facadas, em uma cama, é o testemunho comovente da dor de Frida Kahlo pela traição do marido com sua irmã Cristina. Em 1935, Frida concorda em voltar para Rivera porque o quer “mais do que a própria pele” – confessa em uma carta. Há quem acredite que se iniciou então um pacto de aceitação de aventuras. Embora ele explodisse de ciúmes, por exemplo, quando descobre o romance dela com o escultor Isamu Noguchi (1936). Dizem que, com uma arma na mão, os obrigou a se separarem.


Leon Trótski, o político e revolucionário russo refugiado no México, foi outro dos amores de Frida (1937), que cartas apaixonadas comprovam. Mas a grande fraqueza de Frida por quase uma década foi um fotógrafo de origem húngara de Nova York, que faria seus melhores retratos em cores. “Oh, meu caro Nick, te amo muito. Preciso tanto de você, meu coração dói “, ela escreve em uma de suas muitas cartas a Nickolas Muray.

Em 1939, Frida viaja para Nova York, cidade onde Muray está, e depois para a Europa. Enquanto isso, no México, Diego cai aos pés da pintora húngara Irene Bohus e da bela atriz norte-americana Paulette Goddard. É ele quem pede o divórcio, que se concretiza em 6 de novembro de 1939.

O médico Heinz Berggruen, com quem Frida viveu um mês de romance no Hotel Barbizon Plaza, em Nova York, conta que ela logo quis voltar para Diego. “Quanto mais tempo passávamos juntos, mais perceptível ficava o seu vínculo com ele. Tive que reconhecer que para ela nosso relacionamento não passava de um episódio”, diz Berggruen (Frida Kahlo, por Linde Salber).

Frida produz dezenas de pinturas após o divórcio, mas não consegue vendê-las. Cai em depressão e no álcool. “Diego me fez sofrer tanto que não pude perdoá-lo facilmente, mas ainda o amo, mais do que a minha vida, e ele sabe disso, e por isso age assim”, confessa Frida à atriz Dolores del Río em uma carta.

Frida e Diego se casam novamente em 8 de dezembro de 1940, após o assassinato de Trótski. Em seu segundo casamento com Rivera, Frida impõe regras: não haverá sexo. Serão cúmplices e amigos. “Está claro que Diego precisava de Frida tanto como Frida precisava dele”, diz a escritora e biógrafa Linde Saber.

A lista de rumores de amantes de ambos os lados se torna extensa. Diego sairá com a artista Rina Lazo. Frida vive um romance intenso e secreto com o pintor espanhol Josep Bartoli. E acredita-se que também com mulheres, como Chavela Vargas. “Extraordinária, lésbica, além do mais, a desejei eroticamente.” É assim que a artista a descreve em uma carta ao poeta Carlos Pellicer. Mas suas obras mostram dor diante das aventuras do marido.

Quando se prepara uma exposição em homenagem a Diego Rivera em 1949 no Instituto Nacional de Belas Artes, o mestre apronta outra das suas: “Dei outro desgosto a Frida. Eu me apaixonei pela atriz de cinema María Félix “, conta ele mesmo. Frida “sofreu inutilmente”, diz Diego: a exuberante María Félix nunca quis se casar com ele. A própria Frida enviará a ela uma carta decorada com desenhos de pombos pedindo que aceite a proposta de casamento do marido”, diz Martha Zamora.

Ele a esperaria no aeroporto da Cidade do México com um buquê de flores, em cada visita. Há quem diga que houve um triângulo entre Frida, Diego e María, que ficava na Casa Azul com os dois por longas temporadas. E que a artista oscilava entre os carinhos e o ciúme com as mulheres do marido. Ela pintou no quarto ao lado do estúdio: “Quarto de María Félix, Frida Kahlo e Diego Rivera”, com outros nomes de mulheres próximas ao mestre.

Diego trabalhava, como sempre, sete dias por semana, dezenas de horas por dia, em murais, desenhos e cavaletes. E visitava todos os dias a comerciante Emma Hurtado, que mais tarde se tornaria sua última mulher. Frida Kahlo morreu em 13 de julho de 1954, sozinha, na Casa Azul. “Espero alegre a saída e espero nunca mais voltar” foi seu último escrito. “Foi o dia mais trágico da minha vida. Perdi minha amada Frida para sempre”, recordaria Diego Rivera em uma entrevista a Gladys March.

Diego reconhece os tormentos de Frida em um relato despojado a March, e ensaia um mea culpa. “Tarde demais percebi que a parte mais maravilhosa da minha vida tinha sido meu amor por Frida, embora realmente não pudesse dizer que, se tivesse outra oportunidade, eu me comportaria com ela de maneira diferente. Todo homem é um produto da atmosfera social em que cresce e eu sou quem sou. Não tive nunca moral alguma e vivi apenas para o prazer, onde quer que o encontrasse […] Se amava uma mulher, quanto mais a amava, mais desejava magoá-la. Frida foi apenas a vítima mais óbvia desta desagradável característica da minha personalidade.”

























Fonte:

Autora: Pamela Subizar

Publicado em 27/08/2019; Editado em 13/12/2019


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTA FRASE DE ROBERT A. HEINLEIN

 


“Nunca apanhe um gatinho perdido... a menos que já tenha resolvido que ele vai ser seu dono” 

- Robert A. Heinlein, in “O gato que atravessa paredes – uma comédia de costumes”; tradução de Ruy Jungmann.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

FAKE NEWS: LINCHAMENTO DE FABIANE MARIA DE JESUS

 LINCHAMENTO DE FABIANE MARIA DE JESUS


Fabiane Maria de Jesus

Participantes: Moradores do bairro de Morrinhos IV

Localização: Guarujá,  São Paulo, Brasil

Data: 3 de maio de 2014

Fabiane Maria de Jesus foi uma mulher linchada por moradores do bairro de Morrinhos IV, na periferia do município de Guarujá, no litoral do estado brasileiro de São Paulo, em 3 de maio de 2014.[1] A mulher tinha 33 anos, era uma dona de casa casada, mãe de duas crianças e morava no bairro em que foi espancada e assassinada. O linchamento ocorreu porque a vítima foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças, cujo retrato falado que havia sido feito dois anos antes, passou a circular nas mídias sociais. O fato causou forte comoção nacional, principalmente por ter sido motivado por notícias falsas, disseminadas pelas redes sociais. Foi a vigésima morte por linchamento no Brasil, no ano de 2014.[2]

O Brasil está entre os países onde mais acontecem linchamentos no mundo. Segundo o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), ocorreram 1.179 linchamentos no Brasil entre 1980 e 2006.[3] Segundo o livro Linchamentos: A justiça popular no Brasil (Ed. Contexto, 2015), do sociólogo José de Souza Martins, ocorrem quatro linchamentos e tentativas de linchamento por dia no país e cerca de um milhão de brasileiros participaram de linchamentos nos últimos 60 anos.[4] O perfil da vítima de linchamento é similar ao das vítimas de homicídio: 95% são homens e a maior parte tem entre 15 e 30 anos. Em geral, tanto linchadores quanto linchados são pobres, habitantes de regiões carentes e periféricas, tanto em cidades grandes quanto pequenas, onde o Estado é pouco presente.[3] Segundo Martins, o principal motivo que leva as pessoas a participarem de linchamentos é justamente a falta de confiança nos poderes do Estado.[4]

A partir do advento das redes sociais, estas vêm sendo usadas para difundir boatos que levam aos linchamentos o que, segundo Martins, mostra um descompasso entre o avanço tecnológico e a mentalidade retrógrada de quem usa as redes sociais.[4] Para Ariadne Natal, doutoranda em sociologia da USP, sempre que um caso é repercutido nacionalmente, ocorre um "um efeito de "espelhamento", as pessoas se sentem compelidas a fazer o mesmo se deparadas com uma situação semelhante".[3] Segundo ela, a mídia, na maioria das vezes, aceita os linchamentos como algo natural.[3] Pouco antes de Fabiane ser linchada, a âncora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade, defendeu o linchamento de um adolescente acusado de cometer um furto no Rio de Janeiro. Segundo ela, "num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível".[5] Após o linchamento de Fabiane, Sheherazade foi apontada como responsável, em partes, pelo crime por colegas de profissão como Ricardo Boechat e Laura Capriglione e acadêmicos.[6]

Um boato de que uma mulher estaria sequestrando crianças para realizar rituais de "magia negra" na cidade se espalhou pela internet (principalmente em redes sociais). Posteriormente, foi divulgado online um retrato falado que passou a ser associado com o hipotético sequestro de crianças. No entanto, a representação gráfica da mulher era, na verdade, um retrato que havia sido feito por agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro por conta de um crime que havia acontecido dois anos antes do assassinato de Fabiane a muitos quilômetros de distância do local do linchamento. A polícia local também afirmou que não tinha qualquer registro de acontecimentos desse tipo no município do Guarujá.[7]

No dia 3 de maio de 2014, os moradores do bairro confundiram Fabiane com a suposta criminosa dos rumores depois que a dona de casa ofereceu uma fruta, que havia comprado pouco antes, para uma criança que estava na rua. A mãe do menino presenciou a cena e acreditou que Fabiane fosse a suposta sequestradora, o que desencadeou um processo de fúria coletiva que culminou no linchamento da mulher por cerca de 100 pessoas; outras mil presenciaram as violentas agressões.[8] Além disso, Fabiane estava carregando um livro preto, na verdade uma Bíblia, que foi logo associado ao satanismo pelos agressores.[4]

Cinco dos envolvidos no linchamento foram presos.[9] Lucas Rogério Fabrício Lopes, um dos homens acusados, foi condenado a 30 anos de prisão por homicídio qualificado e também deverá pagar uma indenização de 550 mil reais à família de Jesus. Na sentença, o juiz Edmundo Lellis Filho diz que as circunstâncias do crime revelam uma "barbárie atípica". O documento também afirma que o Lopes, ao liderar o linchamento de Jesus, demonstrou uma "afinidade com a monstruosidade"."No seu falar e agir, o acusado não revelou qualquer empatia com os ofendidos por seu ato, nem deixou ver o mais leve verniz de remorso", afirmou o juiz.[10]



Referências

1. G1, ed. (6 de maio de 2014). «Preso primeiro suspeito por linchamento de mulher em Guarujá». Consultado em 8 de maio de 2014

2. Correio Braziliense, ed. (6 de maio de 2014). «Mulher morta em linchamento é a 20ª vítima de "justiçamentos" só neste ano». Consultado em 8 de maio de 2014. Arquivado do original em 13 de novembro de 2014

3. Puff, Jefferson. "'Quem lincha sabe que tem respaldo social no Brasil', diz pesquisadora". BBC. 24 de julho de 2015.

4. Paiva, Thais. O Brasil dos linchamentos. Carta na Escola. Edição 95, de abril de 2015.

5. Correio da Bahia, ed. (6 de maio de 2014). «Boechat alfineta Rachel Sheherazade após linchamento de mulher por boato: 'tem responsabilidade'». Consultado em 25 de janeiro de 2016

6. Comunique-se, ed. (6 de maio de 2014). «Jornalistas e internautas culpam Rachel Sheherazade por linchamento de mulher». Consultado em 25 de janeiro de 2016

7. Portal Terra, ed. (6 de maio de 2014). «'Foto era idêntica', alega preso por linchamento em Guarujá». Consultado em 8 de maio de 2014

8. O Estado de S. Paulo, ed. (7 de maio de 2014). «Dona de casa foi linchada no Guarujá após oferecer fruta a criança». Consultado em 8 de maio de 2014

9. A Tribuna, ed. (6 de julho de 2014). «Marido publica mensagem em rede social lembrando morte de dona de casa». Consultado em 25 de julho de 2014

10. Da redação (5 de outubro de 2016). «Acusado de linchar dona de casa em Guarujá é condenado a 30 anos». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de outubro de 2016


Fonte:  

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MÚSICA: VIELA DE RODA

 



VIELA DE RODA



A viela de roda (vihuela de roda em espanhol; vièlle à roue em francês; hurdy-gurdy em inglês; ou sanfona, termo utilizado em Portugal) é um instrumento muito peculiar da família do violino, pois é o único cujo som é produzido a partir do girar de uma manivela.

É formada por uma caixa de ressonância na qual se encontra uma roda de madeira resinada que é rotacionada a partir de uma manivela girada pelo músico. Além disso, possui um largo braço que abriga um teclado que, ao ser tocado, aciona pequenas tangentes de madeira.



As cordas da viela de roda são normalmente seis e podem emitir 3 tipos diferentes de som: sons graves e contínuos semelhantes aos da gaita de foles (bordões); sons médios e agudos semelhantes aos do violino (melódicos); e sons agudos e percussivos, como os de um zumbido.

Como funciona?

Para se tocar a viela de roda, o músico, com uma das mãos, define as notas musicais pressionando o teclado que aciona as tangentes, alterando o comprimento vibrante da corda. Com a outra mão, gira a manivela fazendo rotacionar a roda do instrumento que fricciona as cordas e as fazem vibrar, produzindo, assim, o som.


Um pouco de história...


A viela de roda é um instrumento medieval essencialmente popular, cuja origem remonta provavelmente ao século XI, na Península Ibérica. Durante o século XVII foi utilizada nos salões de Paris e atualmente ainda é usada em toda a Europa, sobretudo na Central.

Embora em Portugal seja conhecida como sanfona, um documento alfandegário do Rio de Janeiro do final de século XVIII sugere que a viela de roda também foi conhecida no Brasil e em Portugal por gaita de roda.

Ouça o instrumento neste endereço do YouTube:




Fonte:


https://musicabrasilis.org.br/pt-br/instrumentos/viela-de-roda/

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTE TEXTO DE MICHAEL SHERMER

 

“[...] há princípios morais pelos quais podemos construir um sistema ético secular. Estes princípios não são absolutos (sem exceções), nem tampouco são relativos (vale tudo). Eles são provisionais -- verdadeiros para a maioria das pessoas na maioria das circunstâncias a maior parte do tempo. Sempre que possível, as questões morais devem ser sujeitas ao escrutínio científico e racional, tanto quanto as questões da natureza são sujeitas ao escrutínio científico e racional.”

– Michael Shermer, in O Enigma da Ética sem Religião; publicado originalmente em Skeptic, vol. 4, n.º 2, 1996; tradução de Rodrigo Farias)

sábado, 29 de agosto de 2026

FOTOGRAFIA: PIERRE VERGER

REGISTRO DE ENTRADA DE PIERRE VERGER NO BRASIL 
SOB A GUARDA DO ARQUIVO NACIONAL

Pierre Verger; 1952: autorretrato

O acervo do Serviço de Polícia Marítima e de Fronteira (SPMAF), sob a guarda da Coordenação Regional do Arquivo Nacional em Brasília, guarda o registro de entrada no Brasil, em 1946, do fotógrafo, etnólogo e babalaô francês, Pierre Edouard Léopold Verger.

Pierre Verger - Porto dos Saveiros, Salvador, Brasil-1946-1950

Pierre Verger nasceu em Paris, em 1902, em uma típica família burguesa. Com seu pai, Leopold Verger, empresário belga das artes gráficas, sua mãe, Marie Adéle Samuel, e mais dois irmãos, residiam no luxuoso distrito 16. Em 1932, com a morte da mãe, tornou-se o único descendente da família, pois os seus irmãos faleceram prematuramente, e o pai, no ano de 1915. Assim, aos 30 anos de idade, Verger abandonaria o destino traçado por seus pais e se reinventa, seguindo para as Ilhas do Pacífico e encontrando uma nova profissão: a de fotógrafo. Verger foi um dos associados da famosa agência Alliance Photo , fundada em Paris, em 1934. Viajou por diferentes regiões do mundo durante muitos anos, reunindo uma vasta documentação e realizando um importante trabalho fotográfico, desde o registro de paisagens, tipos humanos das mais distintas origens, hábitos, costumes e rituais religiosos.

Pierre Verger - Pai Balbino de Xangô; Salvador - Bahia - Brasil; 1972-1973

Segundo os documentos do Arquivo Nacional, em pleno pós-guerra, em 13 de abril de 1946, Verger desembarcou na cidade de Corumbá. Três dias depois, estava em São Paulo para encontrar o professor francês Roger Batiste, ocupante da cátedra de Sociologia no Departamento de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo - USP, vaga ocupada anteriormente pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss. Batiste e Verger realizaram numerosos trabalhos em parceria. Ao estabelecer residência no Rio de Janeiro, Verger foi contratado pela maior revista do país à época, O Cruzeiro, sendo designado para a sua sucursal em Salvador, uma vez que, no Rio de Janeiro, já atuava o fotógrafo frânces Jean Mazon, que trabalhava com o jornalista David Nasser. O ofício na revista permitiu a Verger obter sua permanência definitiva no Brasil, em 5 de junho de 1946, obtendo assim a carteira de residente estrangeiro.

Pierre Verger - Festa Shango - Sakété - Benin; 1958

Pierre Verger se apaixonou pela Bahia e realizou viagens pela costa ocidental da África, principalmente Daomé e Nigéria, intensificando suas pesquisas sobre a influência e a relação entre a cultura africana e a baiana. Seus estudos o levaram a envolver-se com o candomblé, exercendo funções no ritual religioso. Na Bahia, foi Ogã no Opô Afonjá da Mãe Senhora e no Opô de Aganju de Balbino. No Daomé, foi iniciado como babalaô, quando estudava a arte adivinhatória de Ifá, recebendo o nome de Fatumbi – renascido pelo Ifá.

Pierre Verger - porto - Belem - Brasil; 1948

Pierre Fatumbi Verger, como ficou conhecido, faleceu em 1996, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu legado.



Fonte:

Arquivo Nacional


Publicado em 13/09/2019

Atualizado em 28/10/2020