sábado, 29 de agosto de 2026

FOTOGRAFIA: PIERRE VERGER

REGISTRO DE ENTRADA DE PIERRE VERGER NO BRASIL 
SOB A GUARDA DO ARQUIVO NACIONAL

Pierre Verger; 1952: autorretrato

O acervo do Serviço de Polícia Marítima e de Fronteira (SPMAF), sob a guarda da Coordenação Regional do Arquivo Nacional em Brasília, guarda o registro de entrada no Brasil, em 1946, do fotógrafo, etnólogo e babalaô francês, Pierre Edouard Léopold Verger.

Pierre Verger - Porto dos Saveiros, Salvador, Brasil-1946-1950

Pierre Verger nasceu em Paris, em 1902, em uma típica família burguesa. Com seu pai, Leopold Verger, empresário belga das artes gráficas, sua mãe, Marie Adéle Samuel, e mais dois irmãos, residiam no luxuoso distrito 16. Em 1932, com a morte da mãe, tornou-se o único descendente da família, pois os seus irmãos faleceram prematuramente, e o pai, no ano de 1915. Assim, aos 30 anos de idade, Verger abandonaria o destino traçado por seus pais e se reinventa, seguindo para as Ilhas do Pacífico e encontrando uma nova profissão: a de fotógrafo. Verger foi um dos associados da famosa agência Alliance Photo , fundada em Paris, em 1934. Viajou por diferentes regiões do mundo durante muitos anos, reunindo uma vasta documentação e realizando um importante trabalho fotográfico, desde o registro de paisagens, tipos humanos das mais distintas origens, hábitos, costumes e rituais religiosos.

Pierre Verger - Pai Balbino de Xangô; Salvador - Bahia - Brasil; 1972-1973

Segundo os documentos do Arquivo Nacional, em pleno pós-guerra, em 13 de abril de 1946, Verger desembarcou na cidade de Corumbá. Três dias depois, estava em São Paulo para encontrar o professor francês Roger Batiste, ocupante da cátedra de Sociologia no Departamento de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo - USP, vaga ocupada anteriormente pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss. Batiste e Verger realizaram numerosos trabalhos em parceria. Ao estabelecer residência no Rio de Janeiro, Verger foi contratado pela maior revista do país à época, O Cruzeiro, sendo designado para a sua sucursal em Salvador, uma vez que, no Rio de Janeiro, já atuava o fotógrafo frânces Jean Mazon, que trabalhava com o jornalista David Nasser. O ofício na revista permitiu a Verger obter sua permanência definitiva no Brasil, em 5 de junho de 1946, obtendo assim a carteira de residente estrangeiro.

Pierre Verger - Festa Shango - Sakété - Benin; 1958

Pierre Verger se apaixonou pela Bahia e realizou viagens pela costa ocidental da África, principalmente Daomé e Nigéria, intensificando suas pesquisas sobre a influência e a relação entre a cultura africana e a baiana. Seus estudos o levaram a envolver-se com o candomblé, exercendo funções no ritual religioso. Na Bahia, foi Ogã no Opô Afonjá da Mãe Senhora e no Opô de Aganju de Balbino. No Daomé, foi iniciado como babalaô, quando estudava a arte adivinhatória de Ifá, recebendo o nome de Fatumbi – renascido pelo Ifá.

Pierre Verger - porto - Belem - Brasil; 1948

Pierre Fatumbi Verger, como ficou conhecido, faleceu em 1996, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu legado.



Fonte:

Arquivo Nacional


Publicado em 13/09/2019

Atualizado em 28/10/2020

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