Vitam impendere vero – dedicar sua vida à verdade.
Essa divisa do poeta satírico romano Juvenal (67-127), retomada por Rousseau em sua carta a d’Alembert:
Em longa passagem na carta a d’Alembert (1758), Rousseau declara ter adotado como mote Vitam impendere vero (sem dar o devido crédito a Juvenal). Essa proclamação vem acompanhada por um apelo solene ao leitor e por uma invocação da verdade: Vitam impendere vero: voilà la devise que j’ai choisie et dont je me sens digne. Lecteurs, je puis me tromper moi-même, mais non pas vous tromper volontairement; craignez mes erreurs et non ma mauvaise sui. L’amour du bien public est la seule passion qui me fait parler au public; je sais alors m’oublier moi-même [...] Sainte et pure vérité à qui j’ai consacre ma vie, non jamais mes passions ne souilleront le sincère amour que j’ai pour toi; l’intérêt ni la crainte ne sauraient altérer l’hommage que j’aime à t’offrir, et ma plume ne te refusera jamais rien que ce qu’elle craint d’accorder à la vengeance ! » Estamos diante de uma espécie de juramento. Rousseau encontra consolo, em tempos de conflito com Diderot e diante do risco de ficar sem amigos, no engajamento pela verdade. A verdade está, por sua vez, a serviço do “bem público”, ou seja: é um benefício universal. Por conseguinte, um valor moral superior. Após a publicação do Émile e do Contrato Social, em 1762, sua profissão de verdade toma cada vez mais a si mesmo como referência, como fica claro nas Confissões: “Eis aqui o único retrato possível de um homem, pintado em exato acordo com a natureza e com toda sua verdade [...] Quero mostrar a meus semelhantes um homem na plenitude da verdade da natureza; e esse homem serei eu.”
(Confessions de J.J. Rousseau. Prefácio de George Sand. Paris: Charpentier, 1841, pp.1, 288).
Apud Estevão C. de Rezende Martins, in VITAM IMPENDERE VERO: MORAL E VERDADE NA PESQUISA

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