segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTA FRASE DE ALBERTO MANGUEL

  


   

“A relação entre uma civilização e sua linguagem é simbiótica: certo tipo de sociedade dá origem a certo tipo de linguagem; por sua vez, essa linguagem dita histórias que inspiram, moldam e mais tarde transmitem a imaginação e o pensamento daquela sociedade.” 

– Alberto Manguel, in A cidade das palavras; tradução de Samuel Titam Jr.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ARTES PLÁTICAS: IMPRESSIONISMO


Claude Monet -impression soleil levant-1872


O Impressionismo foi um movimento que se manifestou, especialmente nas artes plásticas no fim do século XIX na França. Os impressionistas rejeitavam as convenções da arte acadêmica vigente na época. As pinturas do Impressionismo captavam as impressões perceptivas de luminosidade, cor e sombra das paisagens, por isso pintavam o mesmo quadro em diferentes horários do dia.

O termo “impressionista” deriva de uma das obras mais significativas obras desse movimento - Impressão: Nascer do Sol, de Monet. Outra explicação diz que o termo foi usado pela primeira vez pelos caluniadores do movimento, que consideravam as obras inacabadas e o nome foi aceito e adotado pelos artistas desse estilo.

Paul Cézanne -Couple in a Garden

Paul Cézanne (1839-1906), Edgar Degas (1834-1917), Claude Monet (1840-1926), Camille Pissarro (1830-1903), Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) estão entre os principais expoentes do Impressionismo.

Camille Pissarro - The Pond at Montfoucault

Esses artistas estavam interessados em confinar com a tinta as impressões sensoriais de cor, luz, som e de movimento, por meio de cores claras e brilhantes bem como pinceladas mais livres e distintas. Assim como é do conhecimento de todos, as cores da natureza mudam conforme a luz incidente em determinado horário do dia, e eram essas impressões que os impressionistas queriam capturar. Os impressionistas estudavam muito sobre os efeitos ópticos, para isso usavam com frequência recursos fotográficos. Em função disso preferiam trabalhar ao ar livre, bem como, não se prenderam ao uso da perspectiva e ao uso de modelos. As figuras representadas não possuíam contornos nítidos, as sombras deveriam ser coloridas e as cores deveriam ser usadas puras, evitando a mistura de tonalidades.

Claude Monet - Rouen Cathedral, 
Facade (Sunset)

Claude Monet, principal expoente do Impressionismo, costumava afirmar que só é possível conhecer um objeto plenamente se for possível experenciar toda gama de possibilidades e impressões que ele provoca. Ao pintar a tela Catedral de Rouen, Harmonia em azul, de 1893, o artista pintou a catedral trinta vezes, tentando capturar os as variações de cores em sua fachada.

Eliseu Visconti - As duas irmãs ou No verão

No Brasil, alguns pintores se destacaram nesse estilo como Eliseu Visconti, Almeida Júnior, Timótheo da Costa, Henrique Cavaleiro, Vicente do Rego Monteiro e Alfredo Andersen.

Claude Debussy

O Impressionismo também teve suas manifestações na música e na literatura. Na música seus nomes mais marcantes foram Debussy e Ravel. Na literatura destacam-se os escritores Marcel Proust, Graça Aranha e Raul Pompeia.


Claude Monet e sua esposa Alice, 1908




Referências:


LITTLE, Stephen. ...ismos: para entender a arte. Brasil, Ed. Globo, 2011.


Fonte:

Autora: Liane Carvalho Oleques

Mestre em Artes Visuais (UDESC, 2010)

Graduada em Licenciatura em Desenho e Plástica (UFSM, 2008)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTA FRASE DO PADRE LUÍS BRANDÃO

      


“Na América, todo escrúpulo é fora de propósito”. 

– Padre Luís Brandão, reitor do colégio jesuíta em Luanda, 1611; 

in Escravidão volume 1 – Do primeiro leilão de cativos, em Portugal, até a morte de Zumbi dos Palmares – Laurentino Gomes; Globo Livros.


(Nota: não há registro de qualquer imagem do Padre Luís Brandão, por isso, como provocação, essa charge de autor não identificado.)

sábado, 17 de janeiro de 2026

ÁRVORE: O BAOBÁ




O Baobá vive de três a seis mil anos. Originou-se na África, é árvore sagrada. O Baobá representa também preservação e é objeto de culto, com velas, fitas, ex-votos como se fosse santo. Conhecido nos meios científicos com o nome de Adansonia Digitata, o baobá, quando adulto, é considerada a árvore que tem o tronco mais grosso do mundo, chegando em alguns casos, a medir 20 metros de diâmetro. São árvores seculares, testemunhas vivas da história, que chegam até aos 6.000 anos de idade.


O Baobá é uma das árvores mais antigas da terra. Modernos métodos de avaliação, tal como o do carbono radioativo, revelam que uma árvore de 5 metros de diâmetro (a média é de 10 metros) tem 1.010 anos de idade. Antes da utilização de técnicas avançadas, a idade dessas árvores era avaliada pela leitura de datas inscritas no tronco pelos primeiros exploradores alguns deles do século XV.


Poderemos apreciar o sistema de polinização dessa planta, onde os "espíritos mágicos", os macacos que se escondem no oco e gigantesco tronco, durante o dia, e seus vizinhos, os morcegos, que percorrem longas distâncias, á noite, vêm sugar o doce néctar das flores. Essas flores têm 20 cm de diâmetro e parecem estar penduradas de cabeça para baixo, em forma de sino. Elas têm apenas 24 horas de vida O odor forte de almíscar atrai moscas varejeiras e outras agentes polinizadoras. O odor parece de carniça devido a presença de escatol, e sai rapidamente qualquer sentimento romântico em relação a árvore. Os animais sugam o néctar, e assim atuam como vectores para o pólen que adere aos seus pelos faciais. Essa árvore é um hotel para lagartas, muitas espécies de pássaros e insetos, tais como o louva-a-deus gigante capaz de devorar uma lagartixa viva. A mariposa fecha as asas e parece um espinho de acácia. Parece que o galho está coberto de espinhos. Na base do tronco no chão vivem o bicho-pau. A maior parte do ano o baobá está sempre desfolhado. O baobá é lugar de caça.


O poeta Diogenes da Cunha Lima, comprou um terreno em Natal, Rio Grande do Norte para salvar uma árvore, um gigantesco baobá. São conhecidas apenas 20 árvores no país. Em Pernambuco estão dezesseis, 3 no Rio Grande do Norte 1 no Ceará e 1 no Rio de Janeiro. O Baobá se transformou num dos principais personagens do livro O Pequeno Principe, de Saint-Exupéry, editado pela primeira vêz, em Nova York, em 1943. Diogenes da Cunha Lima garante que antes de ser famoso na década de 30, Saint-Exupéry pousou seu avião em Natal, e foi na cidade do Sol que êle conheceu o baobá.



"O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta, é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando. Meninos! Cuidado com os baobás!" (Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Principe.)

(Baobá do Recife)

O famoso Baobá da Praça da República, em frente ao Palácio do Governo Estadual, é uma árvore originária da África, cuja exuberância e robustez de seu tronco é peculiar, tendo este magnífico exemplar sido tombado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal em 1986.



Fonte:

Autora: Maria Luiza Lacerda Soares


Textos transcritos do artigo do Dr. Diogenes da Cunha Lima e Claire Dellatola
Colaboração do Professor Mauricio Wieler

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTA FRASE DE ARTHUR SCHOPENHAUER

     


Se um Deus fez este mundo, eu não gostaria de ser esse Deus: a miséria do mundo esfacelar-me-ia o coração”. 

– Arthur Schopenhauer, in “As dores do mundo”; 

tradução de José Souza de Oliveira

domingo, 11 de janeiro de 2026

COMPORTAMENTO: SEXO NA ROMA ANTIGA

 

NA CAMA COM OS ROMANOS: COMO O SEXO MUDOU A HISTÓRIA DA ROMA ANTIGA

Ilustração na parede da Casa do Fauno, na cidade de Pompeia
Crédito,Getty Images


O sexo teve uma importância política e histórica extraordinária na Roma antiga desde a sua fundação em 753 a.C., segundo o historiador romado Tito Livio Patavino, lembrado como Livio.

Desde o princípio, o sexo esteve vinculado a alguns dos principais acontecimentos romanos. A violência sexual contra mulheres sabinas, no ano de 740 a.C. foi uma estratégia cuidadosamente executada na construção nacional. Para repor a "escassa" população de mulheres férteis, os romanos raptaram as esposas e filhas dos povos sabinos, num episódio que ficou conhecido como o Rapto das Sabinas.

Pouco depois, o sexo teve papel importante no fim da monarquia e na fundação da república e, depois, na restauração dessa república tão fundamental para a democracia romana.

Lucrécia e Virgínia

O suicídio da virtuosa Lucrécia em 510 a.C., após ser estuprada por Sexto Tarquínio, significaria o fim da monarquia romana.

A morte dela provocou uma rebelião que faria de Tarquínio o último rei de Roma. O destino da legendária nobre romana teve um papel-chave na transição do Reino Romano para a República Romana.

Depois, em 449 a.C., o sexo também esteve presente na defesa da república, quando os governantes começaram a se comportar como monarcas. No contexto da luta entre patrícios e plebeus, foi criada uma instituição chamada decenvirato, composta por 10 homens cuja missão era regular as relações entre os cidadãos.


Lucrécia e Tarquínio, em pintura de 1560, do pintor italiano Ticiano

O primeiro decenvirato era controlado por patrícios, e os romanos estavam descontentes com a corrupção e os abusos cometidos por eles - e pelo fato de não convocarem eleições.

Na época, Ápio Claudio Crasso, que presidia o primeiro decenvirato, ficou obcecado com uma bela plebeia chamada Virginia, filha de Lúcio Virgínio, um respeitado centurião romano (sexto na cadeia militar romana no comando de uma legião). Mas Virgínia estava comprometida com Lúcio Icílio, um antigo tribuno da plebe.

Quando o patrício Crasso usou seu poder para ficar com a moça, o pai a assassinou para evitar que fosse estuprada. O que se seguiu foi uma revolta que derrubou o decenvirato e restaurou os valores da república.

O puritanismo

O puritanismo, ou preservação da "virtude sexual", era um conceito central da ética sexual dos antigos romanos. Foi o que custou a vida de Lucrécia e Virgínia, que se tornaram lendas que serviram de exemplo de comportamento para as mulheres romanas.

Uma vez casadas, as mulheres daquela época e região não deviam esperar nenhum prazer do ato sexual, pois seu papel era simplesmente procriar. Além disso, as mulheres precisavam aceitar a infidelidade dos maridos. No caso dos homens, trair era uma prova de virilidade e destreza sexual.

Solteiros ou casados, eles tinham liberdade para fazer sexo com prostitutas, dançarinas e até com outros homens, com a condição crucial de que eles penetrassem o outro, e não o contrário. Os homens que se deixavam penetrar eram considerados deficientes em virilidade e virtude. Poderiam ser denunciados e vilipendiados como afeminados.

Enquanto era exigido um comportamento puritano das mulheres romanas, 
aos homens era permitido trair suas esposas como prova de virilidade

Valores familiares

Nos últimos tempos da república romana, no entanto, o sexo fora do casamento passou a ser questionado socialmente.

Augusto, como primeiro líder do Império Romano, tentou restabelecer "valores familiares" por meio de leis.

No entanto, as intenções dele foram ofuscadas pelo comportamento de sua única filha biológica, Júlia, que, segundo diziam, fez sexo até no púlpito de onde Augusto apresentou sua legislação moralista.

O imperador a exilou em Pandataria (hoje ilha Ventotene, na Itália), uma remota ilha, naquela época, livre de homens, em frente à costa da Campania.

Júlia, a Grande, foi a única filha biológica do primeiro imperador romano, 
além de segunda esposa e meia-irmã do imperador Tibério

O marido de Júlia, seu meio-irmão Tibério, que sucedeu Augusto como imperador, seguia a moda do travestismo popularizada por Júlio César, que, anos antes, quando tinha 20 anos, viveu como mulher na corte do rei Nicomedes IV.

O imperador Tibério se vestia de mulher durante suas desenfreadas celebrações em Capri, enquanto seu sucessor, Calígula, às vezes aparecia em banquetes fantasiado de deusa Vênus.

Já o imperador Nero, atormentado por ter matado sua esposa grávida Poppaea Sabina, quis substituí-la por alguém que se parecesse com ela e encontrou Sporus, um jovem escravo a quem mandou castrar antes da boda.

Nero, que teria tido uma relação incestuosa com a mãe, Agripina, a Jovem, também protagonizou os notórios banquetes de Tigelino: envolto em pele de animais selvagens, ele era liberado de uma jaula para "mutilar" com a boca as genitálias de homens e mulheres presos a uma estaca.

A rainha das prostitutas imperiais

Dizia-se que Messalina, imperatriz de Cláudio, escapava discretamente da cama do marido enquanto ele dormia para visitar um fétido bordel, o que lhe rendeu o título de "rainha das prostitutas imperiais".

O autor romano Plínio diz que, em uma orgia épica, Messalina desafiou uma prostituta veterana a uma maratona sexual de 24 horas. A imperatriz ganhou o desafio após 25 homens.

O sexo também ocupou lugar de destaque na curta "vida indescritivelmente repugnante" do imperador Heliogábalo (AD c 203-222).

A imperatriz romana Messalina nua no bordel Lupanar com um soldado. 
A ilustração é de Auguste Leroux, 1903

De acordo com a História Augusta, uma coleção de biografias de imperadores romanos, de Adriano a Numeriano: "Com cada orifício de seu corpo tomado de luxúria, ele enviou agentes em busca de homens com pênis grandes para satisfazer suas paixões. (...) O tamanho do órgão de um homem determinava o cargo que ele ocupava na administração."

De acordo com essa coleção de livros, Heliogábalo ofereceu uma fortuna a qualquer médico que pudesse dar a ele genitais femininos permanentes. O comportamento dele provocou reação da Guarda Pretoriana e do Senado romano. E, em um complô tramado por sua avó, Heliogábalo foi assassinado quando tinha apenas 18 anos.

'As rosas de Heliogábalo', do pintor holandês Lawrence Alma-Tadema, 
inspirado num episódio da História Augusta, que conta que 
Heliogábalo lançou de surpresa uma quantidade tão grande 
de pétalos de rosas sobre os convidados 
de uma de suas festas que alguns morreram sufocados​

Em 525 d.C, o sexo continuava a ser um aspecto importante da vida romana. A imperatriz Teodora era 20 anos mais jovem que seu marido, Justiniano I. Ela havia trabalhado num bordel de Constantinopla antes do casamento, onde era protagonista de teatro burlesco obsceno. Em uma das peças, Teodora convidava os demais atores a fazerem sexo com ela no palco.

Quando assumiu o posto de imperatriz, ela empreendeu uma série de reformas sociais para proteger as mulheres de abusos físicos, sexuais e de discriminação.


Fonte:

Author : Paul Chrystal, autor de "Na cama com romanos", publicado pela editora Amberley

Role,BBC History Extra

21 novembro 2018


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTA FRASE DE ALBERTO MANGUEL

 


   “Uma história, se for boa, suscita em sua audiência tanto o desejo de saber o que acontece em seguida quanto o desejo conflitante de que a história nunca termine: essa dupla ligação explica nosso impulso para contar e ouvir histórias, e mantém viva nossa curiosidade”. 

– Alberto Manguel, in “Uma história natural da curiosidade”; 

tradução de Paulo Geiger.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

SOCIEDADE: MACEIÓ E O PASSADO BOÊMIO DE UM BAIRRO

 MEMORIAL DA RAPARIGA DESCONHECIDA


2 de junho marca a resistência da profissão mais antiga do mundo, a prostituição

Quando iniciaram a construção dos trapiches para dar suporte à exportação do açúcar no cais do porto, ainda nas primeiras décadas do século XX, os proprietários dos casarões de Jaraguá, em Maceió, sentiram-se incomodados com a proliferação de bares, foram debandando para outros bairros em expansão na cidade.

No final do século XIX, deu-se início ao bairro de Jaraguá. Os grandes comerciantes, os burgueses, os governantes construíram casarões avarandados em frente à praia. Residências modernas, dois andares avarandados, moradias chiques da época, orgulho da capital das Alagoas.

Região portuária é chamariz de biroscas e raparigas, logo as casas avarandadas de dois andares foram transformadas em boates, lupanares ocupados pelas mariposas do amor atraídas pela região do cais do porto. O bairro do Jaraguá tornou-se zona de prostituição. Os cabarés refinados de Jaraguá importavam produtos do Recife, Bahia e até da França, além das brejeiras sertanejas nordestinas. Ambiente fino, visitado por coronéis de engenho e do Exército, deputados, senadores, grandes figuras da nação. As boates tinham os nomes mais variados: Alhambra, Night and Day, Tabariz, São Jorge, Verde, entre outros.

Jaraguá ao amanhecer

Nos anos 60, a região das praias de Pajuçara, Ponta Verde tornou-se moradia predileta dos mais abastados, a classe média alta sonhava com casa nessas belas praias. A região foi crescendo, os moradores quando iam ao centro da cidade, inevitavelmente passavam pelo corredor da prostituição, os casarões avarandados de Jaraguá; isso incomodava muita gente da alta burguesia.

Certo dia, a senhora do Secretário de Segurança Pública foi ao mercado às seis da manhã, quando o carro da Secretaria passava por Jaraguá a madame tomou um susto, um boêmio retardatário após descer a escadaria do lupanar, calmamente puxou o negócio para fora da calça, fez jorrar um jato de xixi amarelo no meio-fio da calçada. Aquela cena não saiu da cabeça da madame, principalmente o tamanho do negócio, ao chegar em casa exagerou a história ao coronel.

Rua Sá e Albuquerque, no bairro Jaraguá, em Maceió

No outro dia todas as boates receberam uma circular dando um prazo de 60 dias para se mudarem daquela região. O coronel com uma canetada acabou a zona de Jaraguá em 1969. Terminava a história da boemia e da moradia por mais de 60 anos das prostitutas, das raparigas desvalidas, prestadoras do serviço mais antigo da humanidade. Logo, a ganância imobiliária iniciou a derrubada de alguns casarões de Jaraguá para construir monstrinhos modernos, a sede do Bradesco, a Comisplan, entre outros.

No início dos anos 70 artistas, arquitetos, Ênio Lins, Pierre e Solange Chalita, entre outras figuras sensíveis, organizaram um movimento, batalharam, conseguiram com muito esforço, cidadania, mobilização. Os casarões de Jaraguá foram tombados. Graças a esse movimento possuímos esse acervo arquitetônico, patrimônio do povo brasileiro. Enquanto as meninas ocuparam aqueles casarões por mais de 60 anos, nunca houve demolição, mesmo involuntariamente elas preservaram o belo acervo cultural, e nos legaram um dos mais importantes patrimônios arquitetônico e histórico da cidade.

Jaraguá à noite

Hoje Jaraguá com seus prédios restaurados, poucos lembram que ali foi um ambiente da boemia, da zona das meretrizes, das marafonas, das perdidas que alimentavam de fantasias os homens, naquela bela época. Para fazer Justiça a essas bravas guerreiras, a Confraria do Sardinha, formada por artistas, intelectuais, boêmios, políticos e outros desocupados frequentadores do Bar da Zefinha, resolveu homenagear essas injustiçadas mulheres, as raparigas que conservaram os casarões.

Numa cerimônia singela, porém muito emotiva, reunidos antigos frequentadores de Jaraguá, foi afixada na parede da ex Boate Alhambra, a placa, MEMORIAL DA RAPARIGA DESCONHECIDA, como reconhecimento e justiça ao trabalho da mulher que conservou, nos legou o mais importante acervo arquitetônico da cidade, os casarões de Jaraguá.



Fonte:

Autoria: CARLITO LIMA 

 HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA


Publicado em 3 de junho de 2024

Como curiosidade, a apresentação do site:





sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTE TEXTO DE PATTI SMITH:

 


“Uma criança comunica a uma boneca ou um soldadinho de chumbo o alento mágico da vida. O artista anima sua obra como a criança faz com seu brinquedo.” 

– Patti Smith, in “Só garotos”; tradução de Alexandre Barbosa de Souza.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

FRUTA: JABUTICABA BRANCA

 BRASIL TEM UMA FRUTA NATIVA DA MATA ATLÂNTICA MUITO RARA




O Brasil é famoso pela sua biodiversidade exuberante, e a Mata Atlântica abriga uma das suas preciosidades mais raras com a jabuticaba-branca (Myrciaria aureana).

Embora o país seja um dos maiores produtores de frutas comuns como a banana, existem espécies nativas quase desconhecidas do grande público, que despertam a atenção de botânicos, ambientalistas e apreciadores da natureza.


Jabuticaba branca

Localizada principalmente em trechos preservados da Serra da Mantiqueira, que abrange partes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, a jabuticaba-branca é uma árvore pequena, que não ultrapassa os cinco metros de altura.

Ela produz frutos que contrastam fortemente com a jabuticaba tradicional, devido à sua coloração única, sua casca e polpa têm um tom amarelo-esverdeado mesmo quando maduros, diferente da casca roxa comum.

O nome “ibatinga”, que significa “fruta branca” em tupi-guarani, traduz a singularidade da espécie que, apesar de ser uma jabuticaba, chama atenção justamente pela coloração incomum.

Raridade e conservação


Documentos botânicos indicam que a jabuticaba-branca é extremamente rara. No início dos anos 2000, apenas seis árvores silvestres foram encontradas no país, três em Guararema (SP), uma em Carmo de Minas (MG) e duas no Rio de Janeiro (Paraty e Conceição de Macabu).

Essa escassez levou a esforços de preservação. Pesquisadores, colecionadores e ambientalistas têm cultivado mudas para evitar a extinção da espécie. Um exemplo marcante é o cultivo de cerca de 180 mudas na cidade de Cambuí, Minas Gerais, iniciativa que busca disseminar a planta para além de seu habitat natural.

A jabuticaba-branca é considerada uma espécie rara e ameaçada, restrita a ambientes preservados. Sua reprodução exige manejo delicado, o que dificulta o cultivo fora de áreas protegidas.

Características e usos da jabuticaba-branca



Apesar de sua raridade, a jabuticaba-branca apresenta diversas qualidades:

  • Sabor e textura: Polpa aquosa, doce com leve acidez.
  • Valor nutricional: Rica em vitaminas B e C, ferro, fósforo e cálcio.
  • Formas de consumo: Pode ser ingerida in natura ou transformada em geleias, vinhos, doces e sorvetes.
  • Uso tradicional: Reconhecida por comunidades locais como remédio caseiro para asma e problemas respiratórios.

Jabuticaba-branca vs. banana, a fruta popular

Enquanto a jabuticaba-branca é rara e de cultivo restrito, a banana é a fruta mais consumida no Brasil e no mundo.

  1. Produção e consumo: O Brasil produz cerca de 6,8 milhões de toneladas de banana por ano, com consumo médio de aproximadamente 27 kg por pessoa anualmente, o que corresponde a quase uma banana por dia.
  2. Variedades: São mais de mil tipos no mundo, com as mais comuns no Brasil sendo nanica, prata, maçã, banana-ouro e banana-da-terra.
  3. Economia: Em 2021, a receita da produção de banana no Brasil atingiu R$ 13,8 bilhões.
  4. Geografia: Produzida em todos os estados brasileiros, destacando-se São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina.


A jabuticaba-branca é um exemplo da riqueza escondida na biodiversidade brasileira. Conhecê-la e protegê-la é um passo importante para valorizar as espécies nativas e garantir que essas preciosidades não desapareçam diante do avanço da urbanização e da degradação ambiental.

Enquanto isso, a banana segue reinando como fruta de consumo diário para milhões, um símbolo da produtividade agrícola nacional. Ambas as frutas, cada uma à sua maneira, contam histórias sobre o Brasil, seu povo e sua natureza exuberante.


Fonte:




Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTE TEXTO DE YANN MARTEL

 


  “Não há condições de ir além de uma explicação científica da realidade, e não é nada sensato acreditar em outra coisa senão na nossa experiência sensorial. Um intelecto claro, uma atenção minuciosa ao detalhe e um pouco de conhecimento científico bastam para demonstrar que a religião é uma baboseira supersticiosa. Deus não existe.” 

– Yann Martel, in “As aventuras de Pi”; tradução de Maria Helena Rouanet.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

HUMOR: ORGASMOS ACENDEM LÂMPADAS

 XIBIU ELÉTRICO




Orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens muito menos. Pelo fato de ser uma reação endócrina que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado. O orgasmo masculino não, é aquela coisa que todo mundo vê. Deixa o maior flagrante por onde passa: Diante desse mistério as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas e centenas de livros escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto.

Acompanho de perto, alias, juntinho, este latejante tema. Vi outro dia no programa do Jô Soares uma sexóloga sergipana dando uma entrevista sobre orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Wallita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica.

Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela piriquita na hora do orgasmo, e chegou a incrível conclusão de que, na hora H a piriquita dispara uma descarga de 250.000 microvolts. Ou seja, cinco pererecas juntas ligadas na hora do aimeudeus seria suficiente para acender uma lâmpada. Uma dúzia então, é capaz de dar partida num fusca com a bateria arriada.

Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tcham, carregou. É preciso ter cuidado porque isso não é mais xibiu, é a torradeira elétrica. Você coloca a linguicinha lá e brrrzz, sai torrada. Pensei : Camisinha agora é pouco, tem que mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. É recomendável, meu amigo, na hora que você for molhar o seu biscoito lá na canequinha de sua namorada perguntar : é 110 ou 220Volts?? Senão, meu xará, depois do que essa moça falou lá no Jô, pode dar ovo frito no café da manhã.


Fonte:

Artigo publicado num jornal de Sergipe, assinado pelo jornalista Ricardo Nunes.


Quarta-feira, 21 de Junho de 2000

sábado, 20 de dezembro de 2025

CITAÇÕES: USE COMO EPÍGRAFE ESTE TEXTO DE CHARLES BUKOWSKI

 


"Beijar é mais íntimo que trepar. Por isso eu odiava saber que as minhas mulheres andavam beijando outros homens. Preferia que só trepassem com eles. 

"Charles Bukowski, in “Mulheres”; tradução de Reinaldo Moraes.